O Projecto PA-REDES: um projecto artístico de inclusão social

Os bairros de Carlos Botelho e Nascimento da Costa são duas comunidades onde a salvaguarda da memória está na ordem do dia. Estes bairros sociais são resultantes do realojamento dos antigos Bairros da Curraleira e do bairro Casal do Pinto. Neste processo de realojamento perdeu-se a memória e identidade dos vizinhos: Em qualquer recanto destes povoados e a qualquer hora do dia, pode-se cheirar as saudades dos seus vizinhos, ao lembrar a idiossincrasia que gerava o convívio do espaço urbanístico em redor das barracas das antigas comunidades. Os antigos bairros e a sua predisposição remete-nos a ideia de que o espaço urbano gera a sensação de pertença a um lugar. Além disso, nesses espaços sociais o quotidiano e o urbano estavam vinculados de uma forma indissociável, pois, nestes lugares gerava-se um conjunto de actividades e convívios garantido a reprodução das relações sociais.

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            A memória humana ao ser frágil, transitória e finita necessita de memórias artificiais a fim de se perpetuar. A memória natural é um lugar onde se armazenam “objectos” de muito valor os quais não sobrevivem à morte de uma pessoa ao não poder ser herdados. Apesar da magistralidade de uma memória, ao chegar o leito da morte de uma pessoa todo se apaga nesse instante.

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            Neste sentido, o meio artístico é uma forma de recolher e estimular as memórias de um colectivo social. Através do Projecto PA-REDES, promovido pelo Clube Intercultural Europeu e financiado pelo programa Partis da Fundação Calouste Gulbenkian e uma rede de parceiros que colabora na sua execução, pretende-se fazer um levantamento de salvaguarda das memórias e identidades das comunidades dos bairros através da arte urbana.

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            Para além disso, o meio artístico empregado neste projecto tenta encher o vazio da falta de instituições que colmatem as necessidades culturais e educativas das comunidades. Com a metodologia do projecto, procura-se que a “malta” do bairro trabalhe nas intervenções artísticas em conjunto com os artistas em todo o processo. Deste modo, o projecto visa promover a formação e capacitação artística em termos sociais na comunidade. Com tudo, a arte não se torna democrática só por sair à rua, ou seja, mais além das quatro paredes do museu: as pessoas do bairro assumem uma responsabilidade em transferir as suas memórias para a mão dos artistas.

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Actualmente o projecto está em processo, pois, simplesmente foram desenhados dois morais as crianças do bairro. Num primeiro momento levantaram-se as memórias através da recolha de um arquivo fotográfico e também, graças a conversas informais com os habitantes destes lugares. Neste momento, está-se a envolver aquela “malta” do bairro interessada em participar nos murais e, aliás, estão implicados na procura das empenas e dos artistas com uma sensibilidade de inclusão social.

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No futuro, quando o projecto chegue ao seu fim, os murais destes bairros falaram do património material e imaterial de tempos passados.

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