Memórias

Vocês sabem que este nosso projeto baseia-se na participação, nas memorias, na arte. Ora vejam este video excerto de “Lisboa, o Direito à Cidade 1974 de Eduardo Geada”. Alguns murais vão ter elementos destas memorias
COUNTDOWN – Em contagem decrescente

E até as paredes serem intervencionadas vamos divulgando aqui algumas das muitas memórias recolhidas.
“Uma saudade enorme das ruas apertadas, rodeadas de barracas, futebolada até não ser possível ver mais os “postes” (pedras) das balizas por ser de noite. Dos gelados de groselha….saudades desses tempos” (Marcio Pires, Curraleira)

“Infância e liberdade. Ali todos brincavam livremente. Saudades dos tanques à entrada da quinta do pinheiro. Local de grandes brincadeiras. Adorei a minha infância” (Filipa Alexandra Costa)

“Saudades de tudo. Das pessoas, do bairro das brincadeiras no chafariz que havia à minha porta com o Vasco e a Augusta do Zé Pires, enfim é um sem fim de sentimentos”.

“Durante o dia, as crianças brincavam sem preocupação, pois não havia mais nada para fazer, os carros não existiam, os pais estavam sossegados e era seguro estar na rua. Muitos dos pais estavam a trabalhar, mas havia sempre uma vizinha por perto que dava um “olhinho” ou deitava a mão em caso de necessidade. (…) A nossa vida era toda ela muito passada na rua, todos nós jogávamos à bola, em campos improvisados, em equipas de 5 para 5 e onde todos eram bem-vindos e tinham as mesmas oportunidades” (Silvino Correia)

“Música em casa das famílias. Não havia facebook, nem telemóveis. Ficava-se no café a conversar e quando fechava ia-se para casa até às tantas.
Carrinhos de esfera, íamos aos figos e depois batíamos às portas das pessoas para os vender
Descíamos as ladeiras em para-choques (relva).
Não tínhamos noção do perigo” (Nininho Vaz Maia)

“Eu vou contribuir descrevendo os locais mais marcantes que para mim existiam no bairro (Curraleira), que são os seguintes;
– A cooperativa onde jogávamos à bola aos sábados e domingos!
– A sede do UCC (União Clube da Curraleira) e entrada da quinta, local onde se juntavam bastantes pessoas e confraternizávamos!
– A minha casa e a minha rua;
Saliento também que no Bairro, existiam duas mercearias (Do Sr. Raul e Do Sr. Augusto), onde se produziam cabides de madeira manualmente e sem moldes! A quinta do Zé da Cachopa, onde existiam muitas hortas, onde também havia vacas e que muita gente do bairro ia lá buscar leite!(ainda me recordo de ir lá).
A oficina do Bandeira onde se faziam sofás, as vendedoras ambulantes que haviam à entrada da quinta” (Fernando Caceres)

“Jogávamos ao peão, ao berlinde, aos carros de esfera, saltar à corda. Hoje há telemóveis, tablets e as crianças ficam gordas. íamos á chinchada pois havia fruta no bairro todo. Íamos comprar pinheiros e depois no Ano Novo queimávamos os pinheiros. Íamos buscar leite á Quinta do Abel que tinha várias vacas” (Adélia).

“Bairro onde havia barracas até ao realojamento. Era uma bairro sossegado, viviam-se tempos de dificuldade. O são martinho foi um momento marcante para mim. A abertura da casa da juventude também”. (Artur)
Qualquer semelhança entre estas memórias e os murais que vão ser pintados Não é coincidência

 

 

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