Quem disse que não se pode organizar um festival de música num bairro social?

O Festival “As Costas da Cidade” realizou-se nos dias 6 e 7 de Julho de 2018 na Praça do Lavrado (Freguesia da Penha de França) e contou com diversas performances artísticas como Nininho Vaz Maia, John Jalba, Filipa Cardoso, Carolina Gomes, Cláudia Alves e as Marchas do Alto Pina.

O Festival foi promovido pelos projetos Transformar Talentos e Fórum Urbano em conjunto com a Associação Geração com Futuro composta por membros da população deste território. O projeto Transformar Talentos, que tem como missão encontrar e formar talentos artísticos neste território, especialmente nas vertentes do teatro, do canto, da música e da dança. Durante os dois dias houve várias atuações dos diferentes grupos participantes no projeto em que dispuseram do palco para apresentarem o que tinham preparado durante os cursos. Através do projeto Fórum Urbano convidaram-se vários projetos financiados pelo programa BIP/ZIP para apresentar os resultados e dinâmicas criadas através das respetivas atividades desenvolvidas em bairros e/ou zonas de intervenção prioritária.

Centenas de pessoas participaram no festival durante os dois dias, um movimento considerável pois o território do vale do chelas continua a ser ignorado ativamente por grande parte da população de Lisboa e permanecem os estereótipos e a discriminação aos respetivos moradores. Até a nível físico permanecem estruturas que minam a saúde e bem-estar da população como a ETAR e uma estação de eletricidade de média e alta tensão, já para não falar de edifícios cuja entrada está virada para a parede do cemitério de S. João, o que leva os próprios moradores a identificarem o território como As Costas da Cidade. Com este festival provou-se que é uma população apta não só a receber mas também a organizar festivais como quaisquer outras freguesias, mesmo com obstáculos e falta de infra estruturas.

Aliás, este foi o principal sucesso do evento. Mostrar para fora que não há défice de responsabilidade e vontade de fazer bem neste território. De facto a união demonstrada entre os moradores antes, durante e após o festival é a melhor memória do mesmo e a conversa agora passou de “Epah… É muita difícil organizar uma coisa como deve ser…” para “Quando fazemos um próximo?”.

Veja aqui o Video do Festival.

Autor: Nuno Wemans
Edição: Teresa Simões

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