Mural da rua da Fábrica da Estamparia

Fotos finais do mural de Telmo Alcobia, baseado na história dos bairros que criaram as memórias deste projeto. Não deixem de passar na rua da Fábrica da Estamparia, e ver por vocês mesmos  

8 murais contando história(s) e memória(s) comuns à Curraleira e ao Casal do Pinto. Estamos muito perto do resultado final!

As crianças e jovens do bairro estiveram a ajudar à preparação de uma das paredes.

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Parede da Rua Carlos Botelho

Um novo mural por Francisco Camilo e Vera Fonseca no Bairro Carlos Botelho. Parede de que Nininho Vaz Maia é o padrinho. Desta vez vamos revelar um pouco das memórias que inspiraram os artistas para este mural. SUSPENSE………….
Aqui vai : Esta parede vai fazer referência ao incêndio trágico que se viveu na Curraleira em 1975 , às barracas, mas também – por se encontrar em frente a um parque infantil – à alegria das crianças que mesmo com muito pouco eram felizes e brincavam livremente pelo(s) bairros(s). Inúmeros/as moradores/as recordam a antiga Curraleira com um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos, falando de uma infância pobre mas feliz. Aliás a memória das barracas e da infância feliz apesar dos muito pouco recursos é uma memória também dos/as moradores/as da Picheleira e do Casal do Pinto. Memórias comuns, paredes de todos/as

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Mural no Bairro João Nascimento da Costa

E hoje um dos momentos tão esperados! Mural no Bairro João Nascimento da Costa (na Rua Almirante Sarmento Rodrigues) feito pelo nosso artista Telmo Alcobia . Mural que lembra a “rampa do Bandeira” tal como ela era conhecida e e chamada pelos/as moradores/as , pela qual as crianças e jovens desciam com os carros de esfera por eles construidos. Mural que evoca também o facto de não haver antes água canalizada e das mulheres se encontrarem nos tanques, que eram também espaço de socialização.
De que estão à espera? Venham daí ver com os vossos proprios olhos este e os outros murais que estão a ser feitos!
Paredes que falam das suas gentes e territórios.

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Obrigado !

Quem tem, quem é, quem sente comunidade, tem tudo!;)
O café/pastelaria Marinho, estabelecimento muito conhecido aqui no bairro João Nascimento da Costa e gerido pela Dália, a Teresa e a Paula, apoia o projeto disponibilizando gratuitamente o almoço aos artistas do Pa-Redes!
Um grande obrigada a elas!
E já agora convidamo-vos a virem ao Marinho, beber um copo, e/ou comer por exemplo um belo de um bitoque ou uma sopa caseira, e ainda poderão ter conversa informal da boa sobre os mais diversos assuntos. Com sorte ainda serão convidados a jogar uma cartada , dançar com a Natalia, ou ainda ouvir o Nininho Vaz Maia a cantar. Na foto: a Dália e o Terrinas (padrinho de um dos murais) com a t.shirt do projeto

As nossas memórias nas nossas paredes

E (re)começamos! De hoje até 30 de Junho “as nossas memórias nas nossas paredes” , paredes que vão falar das suas gentes e territórios. Esta semana o nosso artista do projeto, que nos tem acompanhado desde o início, Telmo Alcobia a pintar uma empena com memórias escolhidas pelos/as moradores/as. Curiosos/as para saber de que memórias se trata?? Têm que cá vir e saberão!  O telmo é apoiado de perto pela Esmeralda , moradora do bairro e madrinha da parede, pela Carla, dinamizadora comunitária do projeto e da Vanessa, nossa voluntária europeia licenciada em história de arte, uma animadora nata grande entusiasta do projeto, tudo sob a lente da nossa Melens , voluntária europeia que nos tem dado um apoio fundamental na área da comunicação. Passo a passo, parede a parede

 

 

Exposição de trabalhos de desenhos e pintura

Fotos da inauguração da exposição  Com os nossos pequenos grandes artistas. Esta foi também uma ocasião para conhecer o espaço multiusos da Junta de Freguesia da Penha de França que tão bem nos recebeu, falando do espaço e das suas valências, mostrando-se bastante interessados no trabalho realizados pelas crianças e jovens no âmbito do nosso projeto, dando -nos a conhecer o parque infantil mais próximo e ainda oferecendo o lanche. Um grande obrigada ao pelouro da cultura da Junta da Penha de França bem como aos/às trabalhadores/as do espaço multiusos que tão bem nos acolheram. A exposição estará no espaço multiusos até ao dia 21 de Abril. Está à vossa espera 😉

Memórias

Vocês sabem que este nosso projeto baseia-se na participação, nas memorias, na arte. Ora vejam este video excerto de “Lisboa, o Direito à Cidade 1974 de Eduardo Geada”. Alguns murais vão ter elementos destas memorias
COUNTDOWN – Em contagem decrescente

E até as paredes serem intervencionadas vamos divulgando aqui algumas das muitas memórias recolhidas.
“Uma saudade enorme das ruas apertadas, rodeadas de barracas, futebolada até não ser possível ver mais os “postes” (pedras) das balizas por ser de noite. Dos gelados de groselha….saudades desses tempos” (Marcio Pires, Curraleira)

“Infância e liberdade. Ali todos brincavam livremente. Saudades dos tanques à entrada da quinta do pinheiro. Local de grandes brincadeiras. Adorei a minha infância” (Filipa Alexandra Costa)

“Saudades de tudo. Das pessoas, do bairro das brincadeiras no chafariz que havia à minha porta com o Vasco e a Augusta do Zé Pires, enfim é um sem fim de sentimentos”.

“Durante o dia, as crianças brincavam sem preocupação, pois não havia mais nada para fazer, os carros não existiam, os pais estavam sossegados e era seguro estar na rua. Muitos dos pais estavam a trabalhar, mas havia sempre uma vizinha por perto que dava um “olhinho” ou deitava a mão em caso de necessidade. (…) A nossa vida era toda ela muito passada na rua, todos nós jogávamos à bola, em campos improvisados, em equipas de 5 para 5 e onde todos eram bem-vindos e tinham as mesmas oportunidades” (Silvino Correia)

“Música em casa das famílias. Não havia facebook, nem telemóveis. Ficava-se no café a conversar e quando fechava ia-se para casa até às tantas.
Carrinhos de esfera, íamos aos figos e depois batíamos às portas das pessoas para os vender
Descíamos as ladeiras em para-choques (relva).
Não tínhamos noção do perigo” (Nininho Vaz Maia)

“Eu vou contribuir descrevendo os locais mais marcantes que para mim existiam no bairro (Curraleira), que são os seguintes;
– A cooperativa onde jogávamos à bola aos sábados e domingos!
– A sede do UCC (União Clube da Curraleira) e entrada da quinta, local onde se juntavam bastantes pessoas e confraternizávamos!
– A minha casa e a minha rua;
Saliento também que no Bairro, existiam duas mercearias (Do Sr. Raul e Do Sr. Augusto), onde se produziam cabides de madeira manualmente e sem moldes! A quinta do Zé da Cachopa, onde existiam muitas hortas, onde também havia vacas e que muita gente do bairro ia lá buscar leite!(ainda me recordo de ir lá).
A oficina do Bandeira onde se faziam sofás, as vendedoras ambulantes que haviam à entrada da quinta” (Fernando Caceres)

“Jogávamos ao peão, ao berlinde, aos carros de esfera, saltar à corda. Hoje há telemóveis, tablets e as crianças ficam gordas. íamos á chinchada pois havia fruta no bairro todo. Íamos comprar pinheiros e depois no Ano Novo queimávamos os pinheiros. Íamos buscar leite á Quinta do Abel que tinha várias vacas” (Adélia).

“Bairro onde havia barracas até ao realojamento. Era uma bairro sossegado, viviam-se tempos de dificuldade. O são martinho foi um momento marcante para mim. A abertura da casa da juventude também”. (Artur)
Qualquer semelhança entre estas memórias e os murais que vão ser pintados Não é coincidência

 

 

AS ASSEMBLEIAS E A FIGURA DOS PADRINHOS E MADRINHAS PARA UMA ARTE INCLUSIVA

O Projeto Pa-Redes além de sair das quatro paredes do museu, também procura uma arte inclusiva e participativa em dois dos Bairros de Intervenção Prioritária de Lisboa: Carlos Botelho e João Nascimento Costa. A arte, para perpetuar-se como inclusiva, deve reinventar o seu discurso com novas metodologias artísticas de modo a caminhar rumo à arte comunitária. Assim, a equipa do projeto Pa-Redes foi, em Outubro do 2016 até ao Bairro da Torre (Cascais) para visitar o projeto artístico de arte urbano Somos Torre e refletir sobre as bases da nova metodologia. A partir desta visita tentou-se pôr bases solidas a fim de construir fórmulas artísticas integradoras. O primeiro passo a seguir foi o de convocar uma assembleia para os moradores dos bairros interessados em participar no projeto. Nesta primeira sessão também estiveram presentes as pessoas responsáveis pelo projeto de arte urbano Somos Torre com o objetivo de envolver a população dos bairros Carlos Botelho e João Nascimento Costa ao falar dos sucessos das suas obras artísticas.

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Já numa segunda assembleia comunitária deu-se uma volta pelos bairros e escolheram-se as paredes falariam das suas memorias, com os seus respetivos dados. Em posterior assembleia definiram-se os chamados padrinhos e madrinhas, é dizer, os “responsáveis” ou lideres de cada parede. Com esta metodologia a figura dos padrinhos e das madrinhas são um motor muito importante para que a arte inclusa seja verídica, pois, estes vão a trabalhar com os artistas durante o processo.

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Atualmente a equipa do projeto está a reunir-se com cada padrinho e madrinha a fim de falar minuciosamente sobre a memória que querem embalsamar nas paredes e empenas dos bairros. Também, se lhe estão a mostrar a cada padrinho e madrinha os trabalhos de artistas para que escolham o estilo artístico que lhes parece ser mais apropriado para as memorias a figurar na parede.

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Quando se materializam as memorias nas paredes, as quais são escolhidas pela população, estas falam de muitas lembranças que formam parte da identidade e memoria coletiva do bairro. Uma das paredes vai falar sobre a historia comum daqueles territórios como os terrenos baldios, a ocupação e construção de barracas e o posterior realojamento. Outra vai retratar de um modo realista e natural a rampa do Bandeira que as crianças e jovens usavam para descer com carros de esfera. Também vai figurar nas paredes o incêndio que aconteceu no Bairro da Curraleira em março de 1975. Outra parede vai ser dedicada à musica, pois este bairro é um berço da musica cigana e do fado. E ainda vamos poder ver num dos murais um tributo ao Real Olimpico da Picheleira, associação que existia no Casal do Pinto onde as pessoas se juntavam, iam tomar banho, etc. Mais memórias vão fazer parte da arte mural destes bairros: o União Clube da Curraleira, as crianças a jogar na rua, ao futebol, a creche (a única daquela território), a escola. Também se vai falar das barracas, dos chafarizes, dos tanques, da fogueira de natal, da solidariedade, mas também do facto daqueles territórios terem sido considerados durante muitos anos territórios nos quais se devia/podia entrar. Por último, e não menos importante, existirá uma empena de mais de 30 metros ligando o passado, presente e o futuro desejado.

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Com este método, o termo de arte para a comunidade toma consciência, corpo, pois as decisões de projeto tomam-se em assembleias e, alem disso, existe a figura do padrinho ou madrinha que trabalha lado a lado com o artista e que garante o contacto e o envolvimento da população. Através desta fórmula o debate e as decisões dos moradores toma lugar num contexto no qual se recupera a participação como forma de integração artística num espaço excluído.